Explosões em Casa | Como ensinar respeito sem perder o controle?

Quando a criança tem uma explosão em casa, o que mais costuma preocupar os pais não é apenas o comportamento em si… é o medo de perder o controle junto com ela. E isso é mais comum do que parece.

Momentos de explosão também mobilizam o adulto, porque despertam irritação, cansaço e, muitas vezes, culpa… além daquela sensação persistente de “eu podia ter lidado melhor com isso” depois que tudo passa.

A forma como o adulto reage nessas situações ensina muito sobre como lidar com conflitos. Quando a resposta vem no impulso, no grito ou na tentativa de controle rígido, a criança aprende mais sobre intensidade emocional do que sobre respeito ou regulação. E quanto mais o adulto tenta resolver no meio da tensão, mais a situação se intensifica… porque nem a criança nem o adulto estão realmente disponíveis para se organizar e pensar em alternativas.

Por isso, é importante saber esperar. Permitir que a intensidade diminua não é “deixar passar”, mas criar as condições necessárias para que a aprendizagem realmente aconteça. Já ouviu nossos avós dizerem “espera a poeira baixar” ou “deixa o barro secar”?

Eles estavam certos. Se você tentar limpar uma botina suja de barro, a sujeira se espalha. Mas, se esperar o barro secar, basta sacudir a botinae sobra bem menos para limpar. Fica muito mais fácil.

Traduzindo isso para a explosão do seu filho: diga “quando você se acalmar, nós conversamos”. Sem humilhação, sem ameaça… e, principalmente, sem perder de vista que a criança ainda está aprendendo a lidar com o que sente.

A criança aprende a se regular a partir da regulação do adulto. Aprende, aos poucos, que sentir raiva, frustração ou irritação faz parte, mas que existem formas possíveis, e mais saudáveis, de expressar tudo isso. Por isso, depois que ela se acalmar, ensine o que pode fazer da próxima vez em que se frustrar.

E, se a frustração tiver sido causada por um limite que você estabeleceu, não recue. Explique que o limite continua valendo, que gritar não fará com que ela consiga o que deseja e reforce o prazo ou os critérios combinados para que isso aconteça. Mas, às vezes, o “não” é não — e não há nada a ser feito.

Educar, no fim das contas, também é ensinar que nem tudo sai como queremos — e está tudo bem. É mostrar, na prática, como lidar com emoções intensas sem desrespeitar o outro, aceitando nossas limitações ou enfrentando-as com habilidades mais pró-sociais.

Psicóloga Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

SOUZA, Ana Beatriz Mota; MENDES, Deise Maria Leal Fernandes; KAPPLER, Stella Rabello. Estratégias de regulação emocional maternas e de crianças: revisão da literatura. Gerais, Rev. Interinst. Psicol.,  Belo Horizonte ,  v. 14, n. spe, p. 1-22,  dez.  2021 .

MACEDO, L. S. R. DE .; SPERB, T. M.. Regulação de emoções na pré-adolescência e influência da conversação familiar. Psicologia: Teoria e Pesquisa, v. 29, n. 2, p. 133–140, abr. 2013.

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Por que a criança parece “piorar” no início da terapia?

“Doutora… parece que piorou depois que começou a terapia.”

Essa é uma das frases que mais escuto nas primeiras semanas de acompanhamento infantil. E sempre que ela aparece, vem acompanhada de preocupação, dúvida e, às vezes, até culpa. A sensação dos pais é de que algo deu errado. Afinal, se a criança começou a terapia para melhorar, por que agora está mais irritada, mais sensível ou mais “respondona”?

O que muitos não sabem é que esse movimento pode, sim, fazer parte do processo terapêutico — e não significa retrocesso.

Quando a criança começa a se autorizar a sentir

Quando a terapia começa, a criança encontra um espaço seguro para falar, sentir e experimentar novas formas de se posicionar. Muitas vezes, ela passa anos guardando emoções, engolindo frustrações, tentando se adaptar ou simplesmente não encontrando palavras para o que sente. Na terapia, ela descobre que pode se expressar sem ser julgada, que pode dizer “não gostei”, “fiquei bravo”, “me senti injustiçado”. Esse fortalecimento da autoconfiança, da expressividade e da assertividade pode, no início, dar a impressão de que ela está mais desafiadora.

Mas é importante entender: não é que a criança ficou pior. É que agora ela está mais autorizada a existir emocionalmente. Aquilo que estava represado, sem espaço e sem escuta, começa a aparecer. E, às vezes, aparece como um turbilhão mesmo. Emoções que antes ficavam reprimidas podem surgir com intensidade. Limites passam a ser testados. Questionamentos aparecem. Não porque a terapia desorganizou a criança, mas porque está ajudando a reorganizar por dentro.

A “bagunça” faz parte da reorganização

Eu costumo comparar esse momento a uma faxina. Quando decidimos arrumar um ambiente muito bagunçado, precisamos primeiro tirar as coisas do lugar. Abrimos armários, espalhamos objetos, mexemos em tudo. Por um momento, parece que está ainda mais desorganizado do que antes. Mas essa “bagunça temporária” é parte do processo de limpeza e reorganização. Sem esse movimento inicial, nada realmente muda.

Com a criança acontece algo semelhante. O início da terapia pode trazer à tona conteúdos que estavam guardados, sentimentos que não tinham espaço e comportamentos que agora estão sendo experimentados de forma mais consciente. É uma fase de ajuste interno. E todo ajuste exige tempo.

O papel da família nessa fase

Por isso, se você perceber esse tipo de mudança, não enfrente isso sozinho. Converse com o terapeuta do seu filho. Pergunte como manejar determinadas situações em casa, peça orientações práticas e alinhe estratégias. A parceria entre família e terapeuta é fundamental nesse momento. Com manejo adequado, constância e coerência, essa fase tende a se estabilizar.

E, aos poucos, aquilo que parecia desorganização começa a se transformar em algo muito mais estruturado: uma criança mais consciente de si, mais capaz de nomear o que sente e mais segura para se posicionar de maneira saudável.

O equilíbrio que você espera não está sendo construído. Pode confiar.

Psic. Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

ALMEIDA, Maria Emanuelly Figueiredo. Regulação emocional infantil: percepção dos pais sobre a criança em psicoterapia. 2022. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Psicologia) – Centro Universitário de Patos, Patos, PB, 2022.

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Se machuca, não é brincadeira!

“Ah, foi só uma brincadeira.” Quantas vezes essa frase aparece depois que uma criança se sente constrangida, envergonhada ou magoada com um sarrinho adulto? Mas existe uma verdade simples e inegociável: se machuca, não é brincadeira.

A criança não interpreta como o adulto

No desenvolvimento infantil, há um ponto fundamental: a criança não processa ironia, sarcasmo ou “zoação leve” da mesma forma que um adulto. O cérebro dela ainda está em construção — especialmente as áreas responsáveis por interpretação social complexa, flexibilidade cognitiva e regulação emocional.

Quando uma criança sente medo, vergonha ou exposição, o cérebro não registra aquilo como “humor”, mas sim como ameaça, da qual precisa se defender.

O que acontece no corpo da criança?

Diante de uma situação percebida como humilhante ou assustadora, o sistema nervoso entra em estado de alerta. O corpo libera hormônios do estresse, a atenção fica voltada para se proteger e não para refletir. Nesse estado, não há espaço para: aprender, elaborar emoções, desenvolver repertório social ou construir confiança. Há apenas autodefesa.

Algumas crianças reagem atacando. Outras se retraem. Outras riem sem graça para tentar pertencer. E repetidas experiências assim podem ensinar algo perigoso: “minhas relações não são seguras.”

“Mas eu estava só brincando…”

Muitos adultos usam a provocação como forma de interação. Às vezes foi assim que aprenderam a demonstrar afeto. Às vezes não percebem o impacto. O problema não é a intenção. É o efeito.

Se a criança diz que não gostou, se ela abaixa o olhar, se encolhe, se silencia ou reage com irritação — ali existe um sinal que não deve ser ultrapassado.

Respeitar esse pedido de “pare” é importante para ensinar limite saudável, que é possível ajustar a interação.

E, quando erramos (porque todos erramos), é possível fazer algo poderoso:
parar e pedir desculpas. Isso ensina muito mais do que qualquer discurso.

Segurança emocional é base para autorregulação

Educar não é endurecer para fortalecer. Educar é construir segurança.

A autorregulação nasce da previsibilidade e do vínculo seguro. A criança aprende a regular suas emoções quando vive relações em que é respeitada, ouvida, levada a sério. E uma criança em modo de autodefesa não está disponível para crescer — está tentando sobreviver emocionalmente.

A pergunta que transforma

Antes de continuar uma brincadeira, vale perguntar: “Isso está sendo divertido para nós dois?”

Se não está sendo para a criança, não é brincadeira compartilhada — é imposição. E a interação que realmente educa não humilha, não expõe, não diminui. Ela constrói.

Psic. Keila Franco

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

FISCHER, Marcela; FORNECK, Kári Lúcia. O ensino da compreensão da ironia na educação infantil: uma abordagem pragmática. Revista de Letras, Curitiba, v. 25, n. 46, p. 122–143, jan./jun. 2023.

SEIXAS, Netília Silva dos Anjos. A linguagem nas crianças além do sentido literal. Movendo Ideias, Belém, v. 16, n. 2, ago./dez. 2011.

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O brincar sozinho na infância em tempos de excesso de telas

O brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, pois possibilita à criança explorar o mundo, expressar sentimentos e construir conhecimentos a partir de suas próprias experiências. Estudos sobre a importância do brincar mostram que a brincadeira vai além do lazer, constituindo-se um instrumento essencial para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e emocional da criança. No entanto, em um contexto marcado pelo excesso de telas e estímulos prontos, observa-se uma dificuldade crescente das crianças em brincar sozinhas de forma criativa e sustentada.

Atualmente, muitas crianças apresentam dificuldades em se entreter sem o uso de dispositivos eletrônicos ou sem direcionamento adulto, demonstrando pouco repertório para imaginar, planejar e manter uma brincadeira por conta própria. Diferentemente do brincar tradicional, no qual a criança cria regras, personagens e situações simbólicas, as telas oferecem conteúdos prontos, o que tende a limitar a imaginação, a iniciativa e a autonomia infantil. Esse cenário impacta diretamente a capacidade da criança de lidar com o tédio, de organizar o pensamento e de sustentar a atenção por períodos mais longos.

O brincar sozinho desempenha um papel importante no desenvolvimento emocional, pois permite que a criança elabore sentimentos, frustrações e vivências do cotidiano por meio do faz de conta. Nesse processo, a criança aprende a se autorregular, a tolerar o tempo de espera e a encontrar soluções criativas para seus próprios desafios. Além disso, o brincar autônomo favorece o desenvolvimento cognitivo, estimulando funções como planejamento, concentração, memória, imaginação e resolução de problemas.

Quando a criança brinca sozinha, desenvolve maior autonomia emocional e cognitiva, aprendendo a se organizar internamente, a sustentar o interesse por uma atividade e a lidar com o próprio tempo e com o tédio. Esse tipo de experiência favorece a capacidade de concentração, o planejamento da brincadeira e a elaboração simbólica de vivências e sentimentos, reduzindo a dependência constante do adulto ou de estímulos externos.

Nesse sentido, garantir tempo, espaço e materiais que favoreçam o brincar livre e individual torna-se fundamental, especialmente em um contexto marcado pelo uso excessivo de telas, que frequentemente limita as oportunidades de criação e imaginação. Promover o brincar sozinho contribui para o fortalecimento da autonomia, da criatividade e da saúde emocional, favorecendo aprendizagens mais profundas e significativas ao longo do desenvolvimento infantil.

Dra. Cynthia Borges de Moura – CRP 08/5822

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

LIRA, Natali Alves Barros; RUBIO, Juliana de Alcântara Silveira. A importância do brincar na educação infantil. Revista Eletrônica Saberes da Educação, v. 5, n. 1, 2014.

TANA, Caroline Mundim; AMÂNCIO, Natália de Fátima Gonçalves. Consequências do tempo gasto em frente às telas na vida de crianças e adolescentes. Research, Society and Development, v. 12, n. 1, 2023.

BRITO JUNIOR, Wander Medeiros de. O excesso de tempo frente às telas e os resultados sobre os possíveis impactos no desenvolvimento infantil. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciência da Computação) – Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Engenharia Elétrica e Informática, Campina Grande, PB, 2023.

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Choro na porta da escola: como ajudar seu filho a atravessar a separação com segurança

Para alguns pais, o início do ano letivo vem acompanhado de uma cena difícil: a criança chora, se agarra, pede para não entrar na escola ou tenta negociar a volta para casa. Isso costuma acontecer justamente no momento da separação — na porta da escola, no corredor ou ao entrar na sala.

Esse tipo de reação não significa que a escola seja ruim, que a criança não esteja pronta ou que algo esteja “dando errado”. Na maioria das vezes, trata-se de uma dificuldade específica com a separação, intensificada pelas mudanças recentes de rotina e pela necessidade de se desligar da presença dos pais.

O que a criança vive nesse momento

Na hora da despedida, o desconforto da criança é real. O corpo reage antes que ela consiga organizar pensamentos ou palavras. Choro, tensão e recusa são tentativas de manter por perto aquilo que traz segurança: a figura de apego.

Por isso, esse momento exige menos explicação e mais apoio emocional. A criança não precisa ser convencida de que a escola é boa; ela precisa sentir que os adultos acreditam que ela consegue atravessar aquele desconforto.

Algumas atitudes dos pais que fazem diferença no momento da separação

  • Mantenha uma despedida clara, breve e firme.
  • Evite prolongar o momento com negociações, promessas ou voltas repetidas.
  • Valide o sentimento (“Eu sei que é difícil”), mas sem abrir espaço para dúvidas (“Talvez você volte”).
  • Transmita confiança na escola e nos profissionais, mesmo que por dentro você esteja inseguro.

Quando a despedida se estende demais, a mensagem que chega à criança é que aquele ambiente talvez não seja seguro o suficiente – e isso aumenta a ansiedade, em vez de aliviar.

O que costuma atrapalhar (mesmo sem intenção)

  • Ameaçar ou pressionar
  • Comparar com outras crianças
  • Prometer recompensas exageradas
  • Permanecer escondido “caso precise voltar”

Essas atitudes mantêm a criança presa à ideia de fuga, dificultando que ela se reorganize emocionalmente dentro da sala.

Separar-se também é uma aprendizagem

Aprender a se separar é parte importante do desenvolvimento emocional. Quando o adulto sustenta esse momento com firmeza e afeto, ajuda a criança a construir confiança em si mesma e no mundo fora de casa.

Com o tempo, a maioria das crianças atravessa essa fase e passa a entrar na escola com mais tranquilidade. O desconforto inicial não precisa, e não deve, se transformar em sofrimento prolongado.

Quando é hora de buscar ajuda

Se o choro e a recusa persistem por muitas semanas, se se intensificam oucomeçam a impactar o sono, o comportamento ou a aprendizagem, é importante buscar ajuda profissional. O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está dificultando essa separação e orientar a família de forma individualizada.

Você não precisa enfrentar esse momento sozinho. Em alguns casos, poucas sessões já são suficientes para reorganizar esse processo e devolver mais segurança à criança – e aos pais.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura
CRP 08/5822

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

RODRIGUES, Nathalia Bentes. Ansiedade infantil: percepção de professores de crianças no início da vida escolar. 2025. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal do Amazonas, Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia de Parintins, Parintins, 2025.

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Volta às Aulas: Como Retomar o Ritmo Sem Estresse?

A volta às aulas é sempre um momento esperado, e não envolve apenas material novo e sala nova. Ela traz uma série de adaptações importantes para a criança e para a família. Depois das férias, retomar o ritmo pode ser um desafio, mas algumas práticas simples tornam esse processo muito mais leve e previsível.

Previsibilidade reduz ansiedade

Muitas vezes, irritação, resistência ou ansiedade não são sinais de “birra”, mas de falta de previsibilidade. A criança precisa entender o que vai acontecer para se sentir segura. Por isso, começar a organização antes do primeiro dia de aula é essencial. Explique, mas não complique: é melhor repetir orientações simples do que fazer discursos longos e difíceis de acompanhar.

Ajuste gradualmente os horários de dormir e acordar, retome a rotina aos poucos, revise o que realmente precisa ser comprado, organize o material e prepare o uniforme. Envolver a criança nessas etapas ajuda a construir um sentimento de controle e segurança — tudo fica menos “de repente” e mais previsível. Vale até transformar o processo em uma brincadeira: façam juntos uma contagem regressiva, riscando no calendário quantos dias faltam para o recomeço.

Cuidado com os exageros

E aqui vai um ponto importante: não é preciso transformar esse momento em uma maratona de consumo. A criança precisa de um caderno — não do mais caro e nem do personagem do momento. Também não precisa de um tênis caríssimo que provavelmente será arrebentado no futebol do recreio.

O que ela realmente precisa é pertencimento: sentir-se igual aos colegas, incluída, parte do grupo. Pertencimento não se constrói com itens de luxo; se constrói com experiência, convivência e acolhimento. Exageros financeiros, além de desnecessários, criam expectativas que não têm relação direta com o bem-estar escolar e não contribuem para a socialização nem para o sucesso acadêmico da criança.

A adaptação vai além do acadêmico

Outro ponto que merece destaque: a volta às aulas não é apenas acadêmica. Ela é emocional, social e afetiva. A criança precisa de tempo para se reorganizar internamente, reencontrar colegas, lidar com professores novos, ajustar-se às regras e redescobrir o ritmo escolar.

Algumas atitudes ajudam muito: passe com seu filho em frente à escola dias antes, leve-o junto no dia da matrícula, evite chegar em cima da hora no primeiro dia de aula. E só entre na sala com ele se for realmente necessário. Escola não funciona com pais dentro — e quanto mais natural for essa separação, mais segura a criança se sentirá.

Quando buscar ajuda

Se você perceber que seu filho está encontrando mais dificuldade do que o esperado para retomar a rotina ou apresentar sofrimentos acentuados nas primeiras semanas de aula, saiba que você não precisa enfrentar isso sozinho. Nossa equipe está aqui para ajudar seu filho a se adaptar com mais segurança, leveza e acolhimento.

Marque uma consulta. Podemos orientar você — e, às vezes, algumas poucas sessões são suficientes para ajudar seu pequeno a se ajustar às novas exigências escolares.

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

CORREIA-ZANINI, Marta Regina Gonçalves; MARTURANO, Edna Maria; FONTAINE, Anne Marie Germaine Victorine. Adaptação à escola de ensino fundamental: indicadores e condições associadas. Arquivos Brasileiros de Psicologia, Rio de Janeiro, v. 68, n. 1, p. 19-34, 2016.

FIRMINO, Mainara Vitoriano de Lima. Entre choros e risos: adaptação escolar: concepções de professoras da educação infantil. 2023. 40 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Educação, Natal, 2023.

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Rapport com crianças: o segredo da conexão na terapia infantil

Você já ouviu a palavra rapport?
Ela parece um termo complicado, usado apenas por quem estuda psicologia ou trabalha com relações humanas, mas, na verdade, o rapport está presente nas nossas interações do dia a dia — e tem um papel essencial na terapia com crianças.

Pense naquela conversa com um amigo em que você se sente completamente à vontade. Você sabe que pode falar sobre qualquer coisa, que será ouvido e compreendido, sem julgamentos.
Isso é o rapport em ação.

O que é rapport?

Na Psicologia Clínica, o rapport é o que cria uma relação harmônica e empática entre terapeuta e paciente. É a base da chamada aliança terapêutica — o vínculo de confiança que sustenta o processo de tratamento.

Pesquisas mostram que, quando o terapeuta adota uma postura genuína de acolhimento, interesse e aceitação, o paciente tende a se sentir mais confortável, compreendido e seguro. E esse sentimento de confiança tem impacto direto nos resultados da terapia.

E com crianças, como isso funciona?

Muita gente acredita que as crianças não conseguem expressar suas preferências, sentimentos ou pensamentos de forma clara. Mas isso não é verdade!
As crianças têm muito a nos dizer — e quanto mais o terapeuta entende o seu universo, mais ele consegue usar o rapport para criar uma conexão verdadeira.

Essa conexão é o que torna a terapia possível. Sem ela, dificilmente há engajamento, abertura emocional ou mudança de comportamento.

Por que o rapport é tão importante na terapia infantil?

1. Aumenta a motivação.
Quando a criança se sente compreendida, ela quer participar, colaborar e se envolver no processo terapêutico.

2. Cria confiança.
E confiança é o que permite que ela se abra emocionalmente, compartilhe suas experiências e fale sobre o que sente.

3. Facilita as mudanças de comportamento.
Quando existe vínculo, ensinar algo novo ou propor desafios se torna muito mais fácil e natural.

Conexão vai além de carinho

Muitos pensam que criar conexão é apenas ser afetuoso — mas o rapport vai muito além disso. Ele envolve atenção, escuta ativa, curiosidade genuína e envolvimento real com o mundo da criança.

Criamos conexão quando:

  • Brincamos juntos. 
  • Observamos suas preferências e interesses.
  • Conversamos sobre temas que fazem parte do seu cotidiano — o jogo de futebol, o desenho preferido, a escola, os amigos…
  • Rimos juntos, contamos uma piada, fazemos comentários que mostram presença e sintonia.

São esses momentos simples que constroem um relacionamento de confiança e tornam a terapia significativa.

Perguntar o que a criança gosta, ouvir com atenção aquela história longa e cheia de detalhes, propor uma brincadeira divertida… tudo isso é parte essencial do processo. É assim que se constrói o rapport — um vínculo de confiança e empatia que faz o processo terapêutico acontecer de verdade. 

Na Clínica Terapia Criativa, acreditamos que o vínculo vem antes de qualquer técnica. Por isso, valorizamos o tempo de conexão, escuta e brincadeira como parte fundamental do processo terapêutico.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Carvalho, Cibele, Fiorini, Guilherme Pacheco, & Ramires, Vera Regina Röhnelt. (2015). Aliança terapêutica na psicoterapia de crianças: uma revisão sistemáticaPsico46(4), 503-512. Acesso:  https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.19139

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Nem sempre mais terapias significam mais progresso!

Quando os pais percebem que o filho está enfrentando dificuldades — seja na escola, nas interações sociais ou no comportamento — é natural querer agir rápido e fazer tudo o que for possível para ajudar. Muitos acreditam que quanto mais terapias a criança fizer, melhor será o resultado. Mas, na prática, nem sempre isso é verdade.

Às vezes, na tentativa de ajudar, os pais acabam colocando a criança em várias terapias ao mesmo tempo: fonoaudiologia, psicoterapia, terapia ocupacional, psicopedagogia… E, embora todas sejam importantes, fazer tudo junto nem sempre é o ideal.

Cada profissional tem um foco, uma linguagem e uma forma de trabalhar.
Quando várias intervenções acontecem simultaneamente, pode surgir sobrecarga, confusão e até resistência da criança — que passa a se sentir cansada ou desmotivada.

Na psicologia, existe um conceito chamado efeito iatrogênico — que descreve quando uma intervenção feita com boa intenção acaba gerando o efeito oposto: em vez de ajudar, dificulta o progresso.

Por isso, o primeiro passo mais importante não é começar uma terapia, mas sim realizar uma boa avaliação. É ela que vai indicar o que realmente precisa ser trabalhado, em que ordem e com qual abordagem.

Nem sempre a resposta está em mais atendimentos. Às vezes, o que a criança precisa é de um bom professor particular, de uma rotina mais estruturada ou de orientações específicas para os pais.

Na maioria dos casos, menos é mais.
Um plano bem direcionado, com objetivos claros e metas possíveis, costuma trazer resultados muito mais consistentes do que várias intervenções desconectadas entre si.

Claro, existem situações em que o trabalho conjunto entre profissionais é fundamental — como nos casos de atrasos globais do desenvolvimento, transtornos do espectro autista ou deficiências múltiplas.
Mas mesmo nesses contextos, o segredo está na integração e no propósito compartilhado entre os profissionais.

Cuidar bem é cuidar com foco. É entender o momento, a necessidade e o ritmo da criança.

Aqui na Terapia Criativa, avaliamos cada caso com cuidado para indicar o melhor caminho — aquele que realmente faz sentido para o desenvolvimento da criança e para o bem-estar da família.

Se você tem dúvidas sobre o que seu filho precisa neste momento, fale com a gente. Vamos pensar juntos na melhor forma de ajudar. 

Psic. Keila de Oliveira Franco Ribeiro

CRP 08/43283


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Schmitt, P. M., Fattore, I. de M., Halberstadt, B. F., Santos, T. D. dos, & Souza, A. P. R. de. (2019). Atendimento em dupla como modalidade de intervenção interdisciplinar na clínica com crianças pequenas. Distúrbios Da Comunicação31(2), 196–206. Acesso: https://doi.org/10.23925/2176-2724.2019v31i2p196-206

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Ajudando crianças a lidarem com pensamentos difíceis!

Você sabia que nem sempre o que muda primeiro é o pensamento? Muita gente acredita que basta “pensar positivo” para se sentir melhor, para promover mudanças  — mas, na prática, não é bem assim.

Na verdade, é o comportamento que costuma vir antes — e é ele que muda e transforma, aos poucos, a forma de sentir e de pensar.

Pense nas crianças que dizem:

“Eu não sou capaz.”
“Eu nunca acerto.”
“Não adianta tentar.”

Esses pensamentos não desaparecem só porque dizemos o contrário.
Frases como “claro que você consegue!” ou “acredite em você” têm boas intenções, mas raramente são suficientes.

É preciso que as crianças vivenciem situações reais de sucesso, superação e prazer em perceber que conseguem de verdade. É isso que impacta o que elas sentem e  pensam sobre si mesmas e suas competências.

Na terapia comportamental, o foco não está em mudar o pensamento diretamente, e sim em criar experiências concretas que provem o contrário.
E como fazemos isso?

  • Propondo pequenas tarefas em que a criança se saia bem. 
  • Reforçando cada conquista — mesmo aquelas que parecem simples. 
  • Desenvolvendo novas habilidades que mostram, na prática: “Ei, eu consigo!”

Quando o comportamento muda, o sentimento muda junto —
e o pensamento se reorganiza naturalmente. A criança começa a se ver de outro jeito: mais confiante, mais competente e mais motivada. 

Na Terapia Criativa, criamos experiências assim todos os dias: vivências que fortalecem o emocional, aumentam a autonomia e geram resultados reais no cotidiano das crianças e adolescentes.

Quer aprender como estimular isso em casa, no dia a dia com seu filho?
Entre em contato com nossa equipe — será um prazer conversar com você!

Psic. Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Lara, A. C. D., Carvalho, T. M., & Teodoro, M. L. M. (2021). Relações familiares e cognições disfuncionais de adolescentes: uma revisão sistemática. Revista Psicologia em Pesquisa, 15. Acesso: https://doi.org/10.34019/1982-1247.2021.v15.29297

Moura, C.B. & Venturelli, M.B. “Direcionamentos para a condução do processo psicoterapêutico comportamental com crianças”. Paideia (Ribeirão Preto), vol.14, n.29, 2004. Acesso: https://rbtcc.com.br/RBTCC/article/view/62/51

Tavares, H. L. S. (2011). Crenças disfuncionais: semelhanças entre pais e filhos [Monografia de Especialização, Universidade Federal de Minas Gerais]. UFMG Repositório. Acesso: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/594e845c-b78e-49bd-a323-5a5e4b1a4245/content

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