Quando atendo uma criança, sempre faço uma pergunta simples aos pais ao final da entrevista: “Quais as qualidades do seu filho? No que ele é bom?”

E sabe o que acontece muitas vezes? Silêncio.

Não é raro que os pais consigam descrever com riqueza de detalhes os problemas de comportamento, as dificuldades na escola ou as birras em casa. Mas, quando chega a hora de falar das qualidades, eles travam.

Isso não acontece por falta de amor ou de atenção. O que ocorre é que, na correria do dia a dia, os erros costumam chamar mais atenção do que os acertos. O brinquedo jogado no chão, a lição não feita, a resposta atravessada — tudo isso salta aos olhos. Já as atitudes positivas passam despercebidas, justamente porque parecem “óbvias” ou “esperadas”.

Só que, sem querer, esse olhar acaba reforçando os comportamentos que os pais mais gostariam que desaparecessem. Afinal, quando a criança só recebe atenção pelo que faz de errado, é isso que tende a se repetir.

Mas há uma saída. Quando os adultos passam a observar e valorizar os acertos, algo poderoso acontece: a criança começa a se sentir reconhecida, motivada e segura. E, com isso, os comportamentos inadequados vão perdendo espaço. Muitas vezes, só essa mudança de foco já é suficiente para transformar o ambiente em casa — a ponto de nem ser necessária uma intervenção terapêutica.

Por isso, um exercício simples pode fazer toda a diferença: todos os dias, procure um motivo para elogiar genuinamente o comportamento do seu filho. Pode ser algo pequeno — como dividir um brinquedo, se vestir sozinho ou mostrar interesse em aprender algo novo.

Focar no que funciona é o primeiro passo para transformar o que não funciona. E, se mesmo assim for difícil lidar com os desafios, conte com a nossa equipe aqui na clínica Instituto Terapia Criativa. Estamos aqui para caminhar junto com você e sua família!

Psic. Samira Khaled Saleh 

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Bueno, A. C. W., Santos, B. C. dos ., & Moura, C. B. de .. (2010). Obediência infantil: conceituação, medidas comportamentais e resultados de pesquisas. Psicologia: Teoria E Pesquisa, 26(2), 203–216. Acesso: https://doi.org/10.1590/S0102-37722010000200002

Loos, H., & Cassemiro, L. F. K.. (2010). Percepções sobre a qualidade da interação familiar e crenças autorreferenciadas em crianças.Estudos De Psicologia (campinas), 27(3), 293–303. Acesso: https://doi.org/10.1590/S0103-166X2010000300002