Você já ouviu a palavra rapport?
Ela parece um termo complicado, usado apenas por quem estuda psicologia ou trabalha com relações humanas, mas, na verdade, o rapport está presente nas nossas interações do dia a dia — e tem um papel essencial na terapia com crianças.

Pense naquela conversa com um amigo em que você se sente completamente à vontade. Você sabe que pode falar sobre qualquer coisa, que será ouvido e compreendido, sem julgamentos.
Isso é o rapport em ação.

O que é rapport?

Na Psicologia Clínica, o rapport é o que cria uma relação harmônica e empática entre terapeuta e paciente. É a base da chamada aliança terapêutica — o vínculo de confiança que sustenta o processo de tratamento.

Pesquisas mostram que, quando o terapeuta adota uma postura genuína de acolhimento, interesse e aceitação, o paciente tende a se sentir mais confortável, compreendido e seguro. E esse sentimento de confiança tem impacto direto nos resultados da terapia.

E com crianças, como isso funciona?

Muita gente acredita que as crianças não conseguem expressar suas preferências, sentimentos ou pensamentos de forma clara. Mas isso não é verdade!
As crianças têm muito a nos dizer — e quanto mais o terapeuta entende o seu universo, mais ele consegue usar o rapport para criar uma conexão verdadeira.

Essa conexão é o que torna a terapia possível. Sem ela, dificilmente há engajamento, abertura emocional ou mudança de comportamento.

Por que o rapport é tão importante na terapia infantil?

1. Aumenta a motivação.
Quando a criança se sente compreendida, ela quer participar, colaborar e se envolver no processo terapêutico.

2. Cria confiança.
E confiança é o que permite que ela se abra emocionalmente, compartilhe suas experiências e fale sobre o que sente.

3. Facilita as mudanças de comportamento.
Quando existe vínculo, ensinar algo novo ou propor desafios se torna muito mais fácil e natural.

Conexão vai além de carinho

Muitos pensam que criar conexão é apenas ser afetuoso — mas o rapport vai muito além disso. Ele envolve atenção, escuta ativa, curiosidade genuína e envolvimento real com o mundo da criança.

Criamos conexão quando:

  • Brincamos juntos. 
  • Observamos suas preferências e interesses.
  • Conversamos sobre temas que fazem parte do seu cotidiano — o jogo de futebol, o desenho preferido, a escola, os amigos…
  • Rimos juntos, contamos uma piada, fazemos comentários que mostram presença e sintonia.

São esses momentos simples que constroem um relacionamento de confiança e tornam a terapia significativa.

Perguntar o que a criança gosta, ouvir com atenção aquela história longa e cheia de detalhes, propor uma brincadeira divertida… tudo isso é parte essencial do processo. É assim que se constrói o rapport — um vínculo de confiança e empatia que faz o processo terapêutico acontecer de verdade. 

Na Clínica Terapia Criativa, acreditamos que o vínculo vem antes de qualquer técnica. Por isso, valorizamos o tempo de conexão, escuta e brincadeira como parte fundamental do processo terapêutico.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Carvalho, Cibele, Fiorini, Guilherme Pacheco, & Ramires, Vera Regina Röhnelt. (2015). Aliança terapêutica na psicoterapia de crianças: uma revisão sistemáticaPsico46(4), 503-512. Acesso:  https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.19139