Criança organizando tudo perfeitamente enquanto outras brincam ao fundo

Nem todo sofrimento emocional infantil aparece como sofrimento

Nem todo sofrimento emocional infantil aparece como sofrimento

Quando pensamos em uma criança que está passando por dificuldades emocionais, é comum imaginarmos alguém triste, chorando, irritado, agressivo ou com mudanças evidentes de comportamento. Esses sinais realmente podem indicar que algo não vai bem. Mas nem sempre o sofrimento infantil se manifesta dessa maneira.

Às vezes, acontece justamente o contrário: a criança parece estar muito bem. É obediente, organizada, independente, não dá trabalho e parece lidar com tudo com muita facilidade.

Mas será que está tudo bem?

Há muitos anos, uma menina de 6 anos chegou à terapia acompanhada pela mãe, que estava um pouco contrariada. Ela não acreditava que a filha precisasse de atendimento, mas a escola havia insistido.

A menina era uma criança extremamente “certinha”.

Não gostava de se sujar, organizava cuidadosamente seu lanche, não derramava o suco e não esfarelava as bolachas. Quando alguma coisa saía do lugar ou não acontecia como ela esperava, seus olhos se enchiam de lágrimas.

A professora percebeu que aquele comportamento merecia atenção.

Não porque a menina fosse desobediente ou apresentasse algum problema de comportamento, mas justamente porque havia uma rigidez e uma preocupação excessivas para a idade.

Esse caso ilustra algo importante: nem todo sofrimento emocional infantil aparece como tristeza ou mau comportamento. Às vezes, ele aparece como uma adaptação excessiva.

Quais sinais podem merecer atenção?

É importante lembrar que nenhum desses comportamentos, isoladamente, significa que uma criança esteja sofrendo emocionalmente.

Crianças têm diferentes temperamentos e fases de desenvolvimento. O que merece atenção é uma mudança significativa em relação ao funcionamento habitual, especialmente quando o comportamento se torna muito rígido, intenso ou começa a limitar a vida da criança.

  1. A criança para de reclamar

Uma criança que antes dizia o que queria, protestava, pedia ajuda e demonstrava quando algo a incomodava pode começar a aceitar tudo passivamente.

À primeira vista, isso pode parecer maturidade ou facilidade de lidar com as situações. Mas, dependendo do contexto, também pode indicar que a criança está deixando de expressar suas necessidades e sentimentos.

  1. Fica independente demais

Ela passa a não pedir ajuda, não procura os adultos e parece não precisar de ninguém.A independência é uma conquista importante do desenvolvimento. A questão é observar quando essa independência aparece de maneira muito intensa ou representa uma mudança brusca no comportamento da criança.

  1. Precisa controlar tudo

Algumas crianças passam a ter muita dificuldade quando algo sai do planejado. Querem saber antecipadamente o que vai acontecer, precisam que as coisas sejam feitas de determinada maneira e ficam muito incomodadas diante de mudanças.Em alguns casos, a tentativa de controlar o ambiente pode estar relacionada à necessidade de tornar as situações mais previsíveis e, portanto, mais fáceis de suportar.

  1. Fica excessivamente “certinha”

É a criança que parece estar sempre preocupada em fazer tudo certo, agradar os adultos, não errar e não incomodar.Ser responsável e cuidadosa não é um problema. O sinal de atenção aparece quando o medo de errar, desagradar ou sair do esperado começa a ocupar um espaço excessivo na vida da criança.

  1. Perde a espontaneidade

Esse talvez seja um dos sinais mais importantes e, muitas vezes, menos percebidos.A criança brinca menos, inventa menos, demonstra menos curiosidade, procura menos os adultos ou deixa de se entusiasmar com coisas que antes gostava.

Não necessariamente apareceu um comportamento-problema. Às vezes, simplesmente alguma coisa deixou de acontecer.E observar o que diminuiu no repertório da criança pode ser tão importante quanto observar aquilo que surgiu.

  1. Assume responsabilidades que não são dela

Algumas crianças começam a tentar evitar conflitos, cuidar do humor dos adultos, preocupar-se excessivamente com alguém da família ou agir como se precisassem “manter tudo bem”.Isso pode ser interpretado como maturidade, responsabilidade ou sensibilidade. Mas uma criança não deveria precisar assumir o papel de mediadora ou sustentação emocional da família.

 

Olhar para o que mudou

Quando pensamos em sofrimento emocional infantil, precisamos olhar não apenas para aquilo que a criança começou a fazer, mas também para aquilo que ela deixou de fazer.

Uma criança pode não estar chorando, não estar fazendo birra e não estar dando trabalho. Pode, inclusive, estar sendo elogiada por seu comportamento.E ainda assim alguma coisa pode estar acontecendo.Por isso, mais importante do que perguntar apenas “qual comportamento está errado?” é perguntar:O que mudou nessa criança?

Às vezes, o sinal não é uma criança difícil. É uma criança adaptada demais.

Se você percebe mudanças no comportamento do seu filho e não sabe se elas merecem atenção, nós podemos ajudar. Uma avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está por trás dessas mudanças, orientar os pais e identificar quando é importante intervir.

 

Dra. Cynthia Moura

CRP 08/5822


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Referências:

FAVA, D. C.; ANDRETTA, I.; MARIN, A. H. Problemas emocionais e de comportamento em crianças: fatores associados e preditivos. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, 2023. DOI: 10.5935/1808-5687.20230035.

 

GAUY, F. V.; GUIMARÃES, S. S. Triagem em saúde mental infantil. Psicologia: Teoria e Pesquisa, Brasília, v. 22, n. 1, p. 005–016, 2006.

DOI: 10.1590/S0102-37722006000100002.

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Criança escutando a mãe falar

A criança não precisa olhar nos olhos para prestar atenção

“Olha para mim quando eu estou falando!”

Essa é uma frase muito comum no dia a dia de pais, professores e cuidadores. Culturalmente, aprendemos que olhar nos olhos é um sinal de respeito, interesse e atenção. No entanto, quando falamos sobre desenvolvimento infantil, essa associação nem sempre é verdadeira.

Muitas crianças conseguem ouvir, compreender e processar informações sem manter contato visual constante. Em alguns casos, exigir que a criança olhe nos olhos pode até dificultar sua capacidade de prestar atenção.

Atenção não é sinônimo de contato visual

Quando um adulto conversa com uma criança, é natural buscar sinais de que ela está acompanhando o que está sendo dito. O problema é usar apenas o contato visual como indicador.

Prestar atenção envolve processos cognitivos complexos, como ouvir, compreender, interpretar e armazenar informações. Nenhum desses processos depende exclusivamente de olhar para o rosto de quem está falando.

Você provavelmente já teve a experiência de escutar um podcast enquanto dirigia, cozinhava ou caminhava. Mesmo sem olhar para o locutor, foi capaz de compreender a mensagem. Com as crianças, algo semelhante pode acontecer.

Algumas crianças focam melhor enquanto olham para outro lugar

Durante uma conversa, é comum observar crianças olhando para um ponto qualquer do ambiente ou até mexendo nas mãos enquanto respondem perguntas. Isso não significa necessariamente desinteresse.

Na verdade, para algumas crianças, especialmente aquelas que precisam dedicar mais esforço ao processamento da linguagem, manter contato visual pode representar uma tarefa adicional. Elas acabam dividindo a atenção entre olhar para o interlocutor e compreender o conteúdo da conversa e se perdem.

Quando desviam o olhar, muitas vezes estão reduzindo estímulos visuais para conseguir se concentrar melhor no que está sendo dito.

Isso acontece só com crianças neurodivergentes?

Não, mas em crianças neurodivergentes, como muitas crianças autistas, essa questão pode ser ainda mais evidente.

O contato visual pode ser desconfortável, cansativo ou exigir um esforço consciente. Algumas descrevem a sensação como uma sobrecarga sensorial: ao mesmo tempo em que precisam interpretar palavras, expressões faciais, gestos e emoções, também precisam organizar suas próprias respostas.

Por isso, a ausência de contato visual não deve ser automaticamente interpretada como falta de atenção, desrespeito ou dificuldade de compreensão.

Como saber se a criança está realmente prestando atenção?

Em vez de observar apenas os olhos, vale a pena considerar outros sinais:

  • Responde adequadamente ao que foi dito.
  • Faz perguntas relacionadas ao assunto.
  • Segue instruções.
  • Demonstra compreensão do conteúdo.
  • Retoma informações discutidas anteriormente.
  • Participa da conversa de maneira coerente.

Esses comportamentos costumam ser indicadores muito mais confiáveis de atenção do que o simples contato visual.

Precisamos repensar algumas expectativas

Ensinar habilidades sociais é importante, e o contato visual pode fazer parte desse aprendizado em determinados contextos. No entanto, exigir que toda criança olhe nos olhos o tempo todo pode gerar ansiedade, desconforto e até prejudicar a comunicação.

Mais importante do que exigir contato visual é encontrar formas de a criança demonstrar que está acompanhando a conversa. Combinar respostas como “estou ouvindo”, “pode falar, mãe” ou outros sinais de atenção costuma ser muito mais útil do que insistir para que ela olhe nos olhos o tempo todo.

Quando ampliamos nosso olhar sobre o que significa prestar atenção, passamos a enxergar a criança de maneira mais acolhedora e respeitosa — e a comunicação se torna muito mais rica para todos os envolvidos.

Psic. Francielle Lopes

CRP 08/49524


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

 

Referências:

DOHERTY-SNEDDON, G.; PHELPS, F. G. Gaze aversion: a response tocognitiveor social difficulty? Memory&Cognition, New York, v. 33, n. 4, p. 727–733, 2005. DOI: 10.3758/BF03195338.

GLENBERG, Arthur M.; SCHROEDER, Jennifer L.; ROBERTSON, David A.Avertingthe gaze disengagestheenvironmentandfacilitatesremembering. Memory&Cognition, New York, v. 26, n. 4, p. 651–658, 1998.https://doi.org/10.3758/bf03211385

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Adolescente triste

Adolescência e irritabilidade: quando observar com mais atenção?

Se você convive com um adolescente, provavelmente já ouviu alguém dizer: “Isso é coisa da idade”. Mudanças de humor, respostas atravessadas, impaciência e momentos de irritabilidade costumam fazer parte do imaginário popular sobre a adolescência.

De fato, a adolescência é um período marcado por intensas transformações físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Mas isso não significa que toda irritabilidade seja “normal”. O desafio está em diferenciar aquilo que faz parte do desenvolvimento esperado do que pode indicar sofrimento emocional.

Por que os adolescentes ficam mais irritados?

Durante a adolescência, o cérebro passa por importantes mudanças. Áreas relacionadas ao controle dos impulsos, planejamento e regulação emocional ainda estão em desenvolvimento, enquanto sistemas ligados às emoções e à busca por recompensas tornam-se mais ativos.

Além disso, o adolescente enfrenta diversos desafios simultaneamente: mudanças corporais, maior cobrança acadêmica, construção da identidade, ampliação das relações sociais e busca por autonomia.

Nesse contexto, é esperado que ocorram:

  • Oscilações de humor.
  • Maior sensibilidade a críticas.
  • Discussões ocasionais com pais e responsáveis.
  • Impaciência em algumas situações.
  • Reações emocionais mais intensas diante de frustrações.

Esses comportamentos, quando transitórios e proporcionais às situações vividas, costumam fazer parte do desenvolvimento típico.

Quando a irritabilidade deixa de ser apenas uma fase?

Alguns sinais que merecem atenção incluem:

  • Irritabilidade presente na maior parte dos dias.
  • Explosões de raiva desproporcionais aos acontecimentos.
  • Conflitos constantes em casa, na escola e com amigos.
  • Queda importante no rendimento escolar.
  • Isolamento social.
  • Alterações significativas no sono ou no apetite.
  • Perda de interesse por atividades antes prazerosas.
  • Comportamentos agressivos ou autodestrutivos.

A preocupação surge quando a irritabilidade passa a ser intensa, frequente e persistente, afetando diferentes áreas da vida do adolescente. Mais do que a intensidade de um episódio isolado, o que costuma diferenciar a normalidade da patologia é a frequência, a duração e o impacto desses comportamentos no funcionamento diário.

Irritabilidade pode ser sinal de transtornos emocionais?

Sim. Embora muitas pessoas associem transtornos emocionais apenas à tristeza ou à ansiedade, a irritabilidade pode ser uma das principais manifestações de sofrimento psicológico na adolescência.

Ela pode estar presente em condições como:

  • Transtornos de ansiedade.
  • Depressão.
  • Transtornos de humor.
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
  • Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD).
  • Transtornos do sono.
  • Situações de estresse intenso ou sobrecarga emocional.

Por isso, é importante olhar além da irritabilidade e tentar compreender o que pode estar acontecendo por trás dela.

Existem diferenças entre meninos e meninas?

Embora cada adolescente seja único, pesquisas mostram que meninos e meninas podem expressar sofrimento emocional de maneiras diferentes.

Nas meninas, é mais comum observar irritabilidade acompanhada de tristeza, ansiedade, autocobrança, retraimento social e sintomas internalizantes. Muitas vezes, o sofrimento aparece de forma mais silenciosa, por meio de preocupações excessivas, choro frequente ou sentimentos de inadequação.

Nos meninos, a irritabilidade pode se manifestar mais frequentemente por comportamentos externalizantes, como discussões, impulsividade, explosões de raiva, comportamentos desafiadores ou agressividade.

Isso não significa que meninas não possam ser agressivas ou que meninos também não possam apresentar tristeza e ansiedade. Essas diferenças representam tendências gerais e não regras. O mais importante é compreender que o sofrimento emocional pode assumir formas variadas, independentemente do gênero.

Nem tudo é adolescência

Um dos maiores riscos é atribuir qualquer mudança de comportamento à famosa “fase da adolescência”. Embora oscilações de humor e momentos de irritabilidade façam parte do desenvolvimento típico, o sofrimento emocional também pode surgir nesse período e merece atenção quando é intenso, persistente e traz prejuízos para a vida do adolescente.

A adolescência pode ser intensa, mas não precisa ser vivida em sofrimento constante. Quando pais, educadores e profissionais conseguem olhar além do comportamento e compreender o que ele está comunicando, torna-se mais fácil oferecer o apoio necessário no momento certo.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura
CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

STEINBERG, Laurence. Cognitive and affective development in adolescence. Trends in Cognitive Sciences, Amsterdam, v. 9, n. 2, p. 69–74, fev. 2005. DOI: 10.1016/j.tics.2004.12.005.

CASEY, B. J.; JONES, Rebecca M.; HARE, Todd A. The adolescent brain. Annals of the New York Academy of Sciences, New York, v. 1124, n. 1, p. 111–126, 2008. DOI: 10.1196/annals.1440.010.

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Rapport com crianças: o segredo da conexão na terapia infantil

Você já ouviu a palavra rapport?
Ela parece um termo complicado, usado apenas por quem estuda psicologia ou trabalha com relações humanas, mas, na verdade, o rapport está presente nas nossas interações do dia a dia — e tem um papel essencial na terapia com crianças.

Pense naquela conversa com um amigo em que você se sente completamente à vontade. Você sabe que pode falar sobre qualquer coisa, que será ouvido e compreendido, sem julgamentos.
Isso é o rapport em ação.

O que é rapport?

Na Psicologia Clínica, o rapport é o que cria uma relação harmônica e empática entre terapeuta e paciente. É a base da chamada aliança terapêutica — o vínculo de confiança que sustenta o processo de tratamento.

Pesquisas mostram que, quando o terapeuta adota uma postura genuína de acolhimento, interesse e aceitação, o paciente tende a se sentir mais confortável, compreendido e seguro. E esse sentimento de confiança tem impacto direto nos resultados da terapia.

E com crianças, como isso funciona?

Muita gente acredita que as crianças não conseguem expressar suas preferências, sentimentos ou pensamentos de forma clara. Mas isso não é verdade!
As crianças têm muito a nos dizer — e quanto mais o terapeuta entende o seu universo, mais ele consegue usar o rapport para criar uma conexão verdadeira.

Essa conexão é o que torna a terapia possível. Sem ela, dificilmente há engajamento, abertura emocional ou mudança de comportamento.

Por que o rapport é tão importante na terapia infantil?

1. Aumenta a motivação.
Quando a criança se sente compreendida, ela quer participar, colaborar e se envolver no processo terapêutico.

2. Cria confiança.
E confiança é o que permite que ela se abra emocionalmente, compartilhe suas experiências e fale sobre o que sente.

3. Facilita as mudanças de comportamento.
Quando existe vínculo, ensinar algo novo ou propor desafios se torna muito mais fácil e natural.

Conexão vai além de carinho

Muitos pensam que criar conexão é apenas ser afetuoso — mas o rapport vai muito além disso. Ele envolve atenção, escuta ativa, curiosidade genuína e envolvimento real com o mundo da criança.

Criamos conexão quando:

  • Brincamos juntos. 
  • Observamos suas preferências e interesses.
  • Conversamos sobre temas que fazem parte do seu cotidiano — o jogo de futebol, o desenho preferido, a escola, os amigos…
  • Rimos juntos, contamos uma piada, fazemos comentários que mostram presença e sintonia.

São esses momentos simples que constroem um relacionamento de confiança e tornam a terapia significativa.

Perguntar o que a criança gosta, ouvir com atenção aquela história longa e cheia de detalhes, propor uma brincadeira divertida… tudo isso é parte essencial do processo. É assim que se constrói o rapport — um vínculo de confiança e empatia que faz o processo terapêutico acontecer de verdade. 

Na Clínica Terapia Criativa, acreditamos que o vínculo vem antes de qualquer técnica. Por isso, valorizamos o tempo de conexão, escuta e brincadeira como parte fundamental do processo terapêutico.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Carvalho, Cibele, Fiorini, Guilherme Pacheco, & Ramires, Vera Regina Röhnelt. (2015). Aliança terapêutica na psicoterapia de crianças: uma revisão sistemática. Psico, 46(4), 503-512. Acesso:  https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.19139

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Ajudando crianças a lidarem com pensamentos difíceis!

Você sabia que nem sempre o que muda primeiro é o pensamento? Muita gente acredita que basta “pensar positivo” para se sentir melhor, para promover mudanças  — mas, na prática, não é bem assim.

Na verdade, é o comportamento que costuma vir antes — e é ele que muda e transforma, aos poucos, a forma de sentir e de pensar.

Pense nas crianças que dizem:

“Eu não sou capaz.”
“Eu nunca acerto.”
“Não adianta tentar.”

Esses pensamentos não desaparecem só porque dizemos o contrário.
Frases como “claro que você consegue!” ou “acredite em você” têm boas intenções, mas raramente são suficientes.

É preciso que as crianças vivenciem situações reais de sucesso, superação e prazer em perceber que conseguem de verdade. É isso que impacta o que elas sentem e  pensam sobre si mesmas e suas competências.

Na terapia comportamental, o foco não está em mudar o pensamento diretamente, e sim em criar experiências concretas que provem o contrário.
E como fazemos isso?

  • Propondo pequenas tarefas em que a criança se saia bem. 
  • Reforçando cada conquista — mesmo aquelas que parecem simples. 
  • Desenvolvendo novas habilidades que mostram, na prática: “Ei, eu consigo!”

Quando o comportamento muda, o sentimento muda junto —
e o pensamento se reorganiza naturalmente. A criança começa a se ver de outro jeito: mais confiante, mais competente e mais motivada. 

Na Terapia Criativa, criamos experiências assim todos os dias: vivências que fortalecem o emocional, aumentam a autonomia e geram resultados reais no cotidiano das crianças e adolescentes.

Quer aprender como estimular isso em casa, no dia a dia com seu filho?
Entre em contato com nossa equipe — será um prazer conversar com você!

Psic. Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Lara, A. C. D., Carvalho, T. M., & Teodoro, M. L. M. (2021). Relações familiares e cognições disfuncionais de adolescentes: uma revisão sistemática. Revista Psicologia em Pesquisa, 15. Acesso: https://doi.org/10.34019/1982-1247.2021.v15.29297

Moura, C.B. & Venturelli, M.B. “Direcionamentos para a condução do processo psicoterapêutico comportamental com crianças”. Paideia (Ribeirão Preto), vol.14, n.29, 2004. Acesso: https://rbtcc.com.br/RBTCC/article/view/62/51

Tavares, H. L. S. (2011). Crenças disfuncionais: semelhanças entre pais e filhos [Monografia de Especialização, Universidade Federal de Minas Gerais]. UFMG Repositório. Acesso: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/594e845c-b78e-49bd-a323-5a5e4b1a4245/content

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TDAH ou Sluggish Cognitive Tempo: Como Diferenciar na Prática Clínica?

Distinguir entre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Sluggish Cognitive Tempo (SCT) é um desafio que exige refinamento diagnóstico e sensibilidade clínica. Embora ambos envolvam sintomas atencionais, tratam-se de quadros diferentes — com trajetórias, comorbidades e prognósticos próprios, o que implica também em intervenções diferenciadas.

O que é o SCT?

O Sluggish Cognitive Tempo, ou “ritmo cognitivo lento”, é caracterizado por lentidão no processamento mental, sonolência diurna, hipoatividade, devaneios frequentes, baixa responsividade e tendência à inibição comportamental.

Russell Barkley (2013) foi um dos primeiros a propor o SCT como uma entidade autônoma, distinta do TDAH. Desde então, diversos estudos têm reforçado a ideia de que o SCT possui uma estrutura sintomática própria, com características que não se sobrepõem totalmente ao TDAH.

Sobreposição e divergência sintomática

TDAH e SCT compartilham sintomas de desatenção, mas por motivos diferentes.
Enquanto o TDAH está ligado a disfunções executivas, impulsividade e desregulação motivacional, o SCT envolve hipoativação cortical e lentidão cognitiva.

De modo geral:

  • No TDAH, a criança se mostra inquieta, impulsiva e com dificuldade em sustentar o foco.
  • No SCT, o que predomina é a sonolência, o “devagar e sempre” — uma lentidão que não é preguiça, mas um funcionamento cognitivo mais brando e introspectivo.

Como diferenciar 

A diferenciação entre os dois quadros depende de uma análise cuidadosa do padrão atencional, do contexto em que os sintomas aparecem e do impacto funcional no dia a dia. Para aumentar a precisão diagnóstica, é fundamental ouvir múltiplas fontes de informação — pais, professores e o próprio paciente — além de utilizar instrumentos validados.

Enquanto o TDAH, especialmente o tipo combinado, costuma se associar à desregulação emocional e a comportamentos externalizantes — como agitação e impulsividade —, o SCT tende a se relacionar com isolamento social, dificuldades acadêmicas e sintomas internalizantes, como ansiedade, tristeza e retraimento.

Outro ponto importante é o uso de psicoestimulantes: enquanto eles costumam ter boa resposta em casos de TDAH, os resultados em SCT são variáveis. Estudos apontam que o SCT pode responder melhor a abordagens psicoterapêuticas, especialmente quando há comorbidades ansiosas ou depressivas.

Status atual nos sistemas classificatórios

Até o momento, o SCT não é reconhecido como um transtorno autônomo no DSM-5 nem na CID-11. Apesar disso, há crescentes evidências de sua validade clínica, e o debate atual gira em torno de sua classificação dimensional — se o SCT seria um transtorno independente, uma dimensão transdiagnóstica ou parte de um espectro atencional mais amplo.

Cuidados éticos e clínicos

Diante de sintomas compatíveis com SCT, é essencial evitar rótulos precipitados e a medicalização de estilos cognitivos. O diagnóstico deve ser sempre contextualizado — considerando a história de vida, o funcionamento global e as comorbidades do indivíduo — e apoiado em avaliações multidimensionais.

Embora compartilhem algumas características, TDAH e SCT são entidades diferenciáveis. O rigor ético e técnico na distinção entre eles favorece intervenções mais eficazes e individualizadas. Na prática clínica, o profissional precisa manter-se em constante atualização, combinando pensamento crítico e integração de novas evidências científicas.

Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Barkley, R. A. (2013). Distinguishing sluggish cognitive tempo from attention-deficit/hyperactivity disorder in children. Journal of Abnormal Child Psychology.

Becker, S. P., et al. (2016). The internal, external, and diagnostic validity of sluggish cognitive tempo: A meta-analytic review.Godoy, V. P. (2024). Avaliação multidimensional do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e do Sluggish Cognitive Tempo (SCT) em adultos brasileiros: Volume 1 (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Acesso: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/9a9f08f0-74ed-4aac-9ecb-669e45b9fbc2/contente

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Teste seu TDAH

Você já se deparou com aqueles “testes rápidos” para TDAH que aparecem online? Como se todo mundo tivesse o transtorno e só faltasse descobrir o “nível”.
Quase como um quiz de revista adolescente, mas com cara de diagnóstico médico. Afinal, parece que, de repente, o TDAH virou moda. Hoje muita gente fala do transtorno como se fosse um acessório de identidade: “Ah, eu esqueço tudo, certeza que tenho TDAH!”; “Meu TDAH é leve…”

É claro que a maior visibilidade tem pontos positivos: reduz preconceitos e incentiva mais pessoas a buscar ajuda. Mas também existe o risco da banalização. Transformar um transtorno sério em uma etiqueta “cool” pode ser perigoso.

Porque o TDAH não é apenas se distrair facilmente ou perder prazos. Ele afeta profundamente diferentes áreas da vida: trabalho, estudos, relações, autoestima.
Reduzir tudo isso a um “teste online” é transformar sofrimento em passatempo — e isso acaba ofuscando quem realmente precisa de apoio.

Um diagnóstico exige avaliação clínica criteriosa. Não basta marcar sintomas em uma lista, até porque todos nós apresentamos alguns deles em algum momento. O que diferencia o TDAH é a intensidade, a frequência e, principalmente, o grau de prejuízo e sofrimento envolvidos.

Antes de “se testar”, vale refletir: estou em busca de informação ou apenas de um rótulo que me explique? Muitas vezes, por trás da moda dos diagnósticos, existe apenas a necessidade de pertencimento. Mas saúde mental não é tendência: é cuidado.

Na Clínica Terapia Criativa, você encontra avaliação e atendimento sérios e de qualidade para o TDAH — seja para crianças, adolescentes ou adultos.

Keila de Oliveira Franco Ribeiro

Psicóloga (CRP 08/43283)


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Associação Brasileira do Déficit de Atenção. (2023, 24 de agosto). O TDAH na era digital: entre a validação comunitária e a banalização do sofrimento. Associação Brasileira do Déficit de Atenção. Acesso: https://tdah.org.br/o-tdah-na-era-digital-entre-a-validacao-comunitaria-e-a-banalizacao-do-sofrimento/

Oliveira, A. C., & Ricci, F. P. (2023). O autodiagnóstico de TDAH na rede social TikTok e os modos de subjetivação na pós-modernidade. Anais do Congresso Internacional de Psicologia da UNICESUMAR. Universidade Cesumar (UNICESUMAR). Acesso: https://rdu.unicesumar.edu.br/bitstream/123456789/10810/1/683142.pdf

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Superdotação vai muito além de uma curiosidade intensa!

É comum ver crianças encantadas por dinossauros, planetas, mapas ou qualquer outro tema fascinante. Muitas vezes, esses interesses despertam a pergunta: “Será que meu filho é superdotado?”

A verdade é que superdotação vai muito além de uma curiosidade intensa. O que realmente caracteriza a Superdotação e as Altas Habilidades é a profundidade, a complexidade e a facilidade com que a criança aprende, faz conexões e se aprofunda em determinados assuntos.

E isso pode se manifestar de diferentes formas:

  • QI elevado: algumas crianças apresentam desempenho muito acima da média em áreas como linguagem ou raciocínio lógico.
  • Talento específico: outras se destacam de maneira extraordinária em áreas artísticas, como música, dança, pintura ou escrita, mesmo sem apresentar um QI elevado.
  • Combinação: há ainda aquelas que reúnem tanto um QI muito alto quanto talentos específicos, potencializando ainda mais suas habilidades.

Por isso, antes de rotular uma criança, é importante observar com cuidado. Mesmo rótulos considerados positivos, como o das Altas Habilidades, podem gerar pressão e expectativas difíceis de lidar, afetando o bem-estar emocional.

Nem todo comportamento brilhante significa superdotação — e o contrário também é verdade. Uma criança pode apresentar características sutis que só ficam evidentes quando avaliadas de forma criteriosa e cuidadosa.

Se houver dúvidas, uma avaliação especializada pode ajudar a compreender melhor o que está por trás daquele comportamento que chamou atenção.

Aqui na clínica Terapia Criativa, oferecemos a avaliação neuropsicológica com esse objetivo: compreender de forma ampla e cuidadosa cada criança, olhando não apenas para suas habilidades cognitivas, mas também para aspectos emocionais, sociais e comportamentais. Esse processo ajuda a identificar potenciais, dificuldades e necessidades específicas, fornecendo um retrato muito mais completo do desenvolvimento. Assim, evitamos reduções a rótulos simplistas e oferecemos às famílias orientações práticas, seguras e individualizadas, que realmente fazem diferença no cotidiano e na trajetória escolar e pessoal da criança.

✨ Se você deseja saber mais sobre esse processo, fale com a nossa equipe.

Psic. Francielle Lopes

CRP 08/49524


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:COSTA, M. M. da ., BIANCHI, A. S., & SANTOS, M. M. de O.. (2022). CARACTERÍSTICAS DE CRIANÇAS COM ALTAS HABILIDADES/ SUPERDOTAÇÃO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA1.Revista Brasileira De Educação Especial, 28, e0121. Acesso: https://doi.org/10.1590/1980-54702022v28e0121

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Reta Final do Ano Letivo: Ainda Dá Tempo de Ajudar seu Filho!

Novembro chegou e, com ele, a reta final do ano letivo.

Esse é um momento estratégico para os pais refletirem: como está o desempenho escolar do seu filho? Ele tem acompanhado bem as aulas? Está motivado, confiante? Ou você percebe que vem acumulando dificuldades ao longo do ano?

A ilusão de que “não adianta mais”

É muito comum que algumas famílias deixem o ano transcorrer esperando que os resultados escolares apareçam, mas, quando as notas começam a preocupar — até mesmo com risco de reprovação — muitos pais pensam: “Agora não dá mais tempo de fazer nada.”

Mas a boa notícia é que dá, sim, para agir! A reta final do ano letivo pode ser um momento valioso para entender melhor o que está acontecendo e oferecer à criança ou adolescente o suporte necessário para terminar o ano com mais leveza, segurança, autoestima e algum resultado concreto.

Arrumando a mochila para o ano que vem

Buscar ajuda agora não serve apenas para fechar o ano com melhores resultados. Também ajuda a preparar a criança para o próximo ano letivo, organizando estratégias que evitam a repetição das mesmas dificuldades. É como arrumar a bagagem antes de seguir viagem: quanto mais leve ela estiver, mais fácil será o caminho.

Como a Terapia Criativa pode ajudar

Na Terapia Criativa, oferecemos avaliação e acompanhamento psicológico e neurocognitivo, que permitem identificar os desafios escolares e emocionais de cada criança. Pode ser uma dificuldade específica ou um distúrbio de aprendizagem. É importante detectar com precisão qual é o problema, para que, a partir disso, possamos traçar estratégias práticas e personalizadas, apoiando tanto o desenvolvimento acadêmico quanto o emocional.

Conclusão

Se você percebeu que seu filho não está tão bem, não adie. Quanto antes a intervenção acontecer, maiores são as chances de que ele termine o ano mais tranquilo, confiante e preparado para o que vem pela frente — deixando para trás a bagagem de dificuldades acumuladas ao longo do ano.

Pequenas intervenções no momento certo podem fazer uma grande diferença no desenvolvimento escolar e emocional do seu filho.

Psic. Francielle Lopes

CRP 08/49524


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Referências:

Achkar, A. M. N. E., Leme, V. B. R., Soares, A. B., & Yunes, M. A. M.. (2017). Risco e proteção de estudantes durante os anos finais do ensino fundamental. Psicologia Escolar E Educacional, 21(3), 417–426. Acesso: https://doi.org/10.1590/2175-35392017021311151

Martinelli, S. de C.. (2014). Um estudo sobre desempenho escolar e motivação de crianças.Educar Em Revista, (53), 201–216.  Acesso: https://doi.org/10.1590/0104-4060.27122

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