Por que a criança parece “piorar” no início da terapia?

“Doutora… parece que piorou depois que começou a terapia.”

Essa é uma das frases que mais escuto nas primeiras semanas de acompanhamento infantil. E sempre que ela aparece, vem acompanhada de preocupação, dúvida e, às vezes, até culpa. A sensação dos pais é de que algo deu errado. Afinal, se a criança começou a terapia para melhorar, por que agora está mais irritada, mais sensível ou mais “respondona”?

O que muitos não sabem é que esse movimento pode, sim, fazer parte do processo terapêutico — e não significa retrocesso.

Quando a criança começa a se autorizar a sentir

Quando a terapia começa, a criança encontra um espaço seguro para falar, sentir e experimentar novas formas de se posicionar. Muitas vezes, ela passa anos guardando emoções, engolindo frustrações, tentando se adaptar ou simplesmente não encontrando palavras para o que sente. Na terapia, ela descobre que pode se expressar sem ser julgada, que pode dizer “não gostei”, “fiquei bravo”, “me senti injustiçado”. Esse fortalecimento da autoconfiança, da expressividade e da assertividade pode, no início, dar a impressão de que ela está mais desafiadora.

Mas é importante entender: não é que a criança ficou pior. É que agora ela está mais autorizada a existir emocionalmente. Aquilo que estava represado, sem espaço e sem escuta, começa a aparecer. E, às vezes, aparece como um turbilhão mesmo. Emoções que antes ficavam reprimidas podem surgir com intensidade. Limites passam a ser testados. Questionamentos aparecem. Não porque a terapia desorganizou a criança, mas porque está ajudando a reorganizar por dentro.

A “bagunça” faz parte da reorganização

Eu costumo comparar esse momento a uma faxina. Quando decidimos arrumar um ambiente muito bagunçado, precisamos primeiro tirar as coisas do lugar. Abrimos armários, espalhamos objetos, mexemos em tudo. Por um momento, parece que está ainda mais desorganizado do que antes. Mas essa “bagunça temporária” é parte do processo de limpeza e reorganização. Sem esse movimento inicial, nada realmente muda.

Com a criança acontece algo semelhante. O início da terapia pode trazer à tona conteúdos que estavam guardados, sentimentos que não tinham espaço e comportamentos que agora estão sendo experimentados de forma mais consciente. É uma fase de ajuste interno. E todo ajuste exige tempo.

O papel da família nessa fase

Por isso, se você perceber esse tipo de mudança, não enfrente isso sozinho. Converse com o terapeuta do seu filho. Pergunte como manejar determinadas situações em casa, peça orientações práticas e alinhe estratégias. A parceria entre família e terapeuta é fundamental nesse momento. Com manejo adequado, constância e coerência, essa fase tende a se estabilizar.

E, aos poucos, aquilo que parecia desorganização começa a se transformar em algo muito mais estruturado: uma criança mais consciente de si, mais capaz de nomear o que sente e mais segura para se posicionar de maneira saudável.

O equilíbrio que você espera não está sendo construído. Pode confiar.

Psic. Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

ALMEIDA, Maria Emanuelly Figueiredo. Regulação emocional infantil: percepção dos pais sobre a criança em psicoterapia. 2022. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Psicologia) – Centro Universitário de Patos, Patos, PB, 2022.

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Se machuca, não é brincadeira!

“Ah, foi só uma brincadeira.” Quantas vezes essa frase aparece depois que uma criança se sente constrangida, envergonhada ou magoada com um sarrinho adulto? Mas existe uma verdade simples e inegociável: se machuca, não é brincadeira.

A criança não interpreta como o adulto

No desenvolvimento infantil, há um ponto fundamental: a criança não processa ironia, sarcasmo ou “zoação leve” da mesma forma que um adulto. O cérebro dela ainda está em construção — especialmente as áreas responsáveis por interpretação social complexa, flexibilidade cognitiva e regulação emocional.

Quando uma criança sente medo, vergonha ou exposição, o cérebro não registra aquilo como “humor”, mas sim como ameaça, da qual precisa se defender.

O que acontece no corpo da criança?

Diante de uma situação percebida como humilhante ou assustadora, o sistema nervoso entra em estado de alerta. O corpo libera hormônios do estresse, a atenção fica voltada para se proteger e não para refletir. Nesse estado, não há espaço para: aprender, elaborar emoções, desenvolver repertório social ou construir confiança. Há apenas autodefesa.

Algumas crianças reagem atacando. Outras se retraem. Outras riem sem graça para tentar pertencer. E repetidas experiências assim podem ensinar algo perigoso: “minhas relações não são seguras.”

“Mas eu estava só brincando…”

Muitos adultos usam a provocação como forma de interação. Às vezes foi assim que aprenderam a demonstrar afeto. Às vezes não percebem o impacto. O problema não é a intenção. É o efeito.

Se a criança diz que não gostou, se ela abaixa o olhar, se encolhe, se silencia ou reage com irritação — ali existe um sinal que não deve ser ultrapassado.

Respeitar esse pedido de “pare” é importante para ensinar limite saudável, que é possível ajustar a interação.

E, quando erramos (porque todos erramos), é possível fazer algo poderoso:
parar e pedir desculpas. Isso ensina muito mais do que qualquer discurso.

Segurança emocional é base para autorregulação

Educar não é endurecer para fortalecer. Educar é construir segurança.

A autorregulação nasce da previsibilidade e do vínculo seguro. A criança aprende a regular suas emoções quando vive relações em que é respeitada, ouvida, levada a sério. E uma criança em modo de autodefesa não está disponível para crescer — está tentando sobreviver emocionalmente.

A pergunta que transforma

Antes de continuar uma brincadeira, vale perguntar: “Isso está sendo divertido para nós dois?”

Se não está sendo para a criança, não é brincadeira compartilhada — é imposição. E a interação que realmente educa não humilha, não expõe, não diminui. Ela constrói.

Psic. Keila Franco

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

FISCHER, Marcela; FORNECK, Kári Lúcia. O ensino da compreensão da ironia na educação infantil: uma abordagem pragmática. Revista de Letras, Curitiba, v. 25, n. 46, p. 122–143, jan./jun. 2023.

SEIXAS, Netília Silva dos Anjos. A linguagem nas crianças além do sentido literal. Movendo Ideias, Belém, v. 16, n. 2, ago./dez. 2011.

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O brincar sozinho na infância em tempos de excesso de telas

O brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento infantil, pois possibilita à criança explorar o mundo, expressar sentimentos e construir conhecimentos a partir de suas próprias experiências. Estudos sobre a importância do brincar mostram que a brincadeira vai além do lazer, constituindo-se um instrumento essencial para o desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e emocional da criança. No entanto, em um contexto marcado pelo excesso de telas e estímulos prontos, observa-se uma dificuldade crescente das crianças em brincar sozinhas de forma criativa e sustentada.

Atualmente, muitas crianças apresentam dificuldades em se entreter sem o uso de dispositivos eletrônicos ou sem direcionamento adulto, demonstrando pouco repertório para imaginar, planejar e manter uma brincadeira por conta própria. Diferentemente do brincar tradicional, no qual a criança cria regras, personagens e situações simbólicas, as telas oferecem conteúdos prontos, o que tende a limitar a imaginação, a iniciativa e a autonomia infantil. Esse cenário impacta diretamente a capacidade da criança de lidar com o tédio, de organizar o pensamento e de sustentar a atenção por períodos mais longos.

O brincar sozinho desempenha um papel importante no desenvolvimento emocional, pois permite que a criança elabore sentimentos, frustrações e vivências do cotidiano por meio do faz de conta. Nesse processo, a criança aprende a se autorregular, a tolerar o tempo de espera e a encontrar soluções criativas para seus próprios desafios. Além disso, o brincar autônomo favorece o desenvolvimento cognitivo, estimulando funções como planejamento, concentração, memória, imaginação e resolução de problemas.

Quando a criança brinca sozinha, desenvolve maior autonomia emocional e cognitiva, aprendendo a se organizar internamente, a sustentar o interesse por uma atividade e a lidar com o próprio tempo e com o tédio. Esse tipo de experiência favorece a capacidade de concentração, o planejamento da brincadeira e a elaboração simbólica de vivências e sentimentos, reduzindo a dependência constante do adulto ou de estímulos externos.

Nesse sentido, garantir tempo, espaço e materiais que favoreçam o brincar livre e individual torna-se fundamental, especialmente em um contexto marcado pelo uso excessivo de telas, que frequentemente limita as oportunidades de criação e imaginação. Promover o brincar sozinho contribui para o fortalecimento da autonomia, da criatividade e da saúde emocional, favorecendo aprendizagens mais profundas e significativas ao longo do desenvolvimento infantil.

Dra. Cynthia Borges de Moura – CRP 08/5822

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

LIRA, Natali Alves Barros; RUBIO, Juliana de Alcântara Silveira. A importância do brincar na educação infantil. Revista Eletrônica Saberes da Educação, v. 5, n. 1, 2014.

TANA, Caroline Mundim; AMÂNCIO, Natália de Fátima Gonçalves. Consequências do tempo gasto em frente às telas na vida de crianças e adolescentes. Research, Society and Development, v. 12, n. 1, 2023.

BRITO JUNIOR, Wander Medeiros de. O excesso de tempo frente às telas e os resultados sobre os possíveis impactos no desenvolvimento infantil. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Ciência da Computação) – Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Engenharia Elétrica e Informática, Campina Grande, PB, 2023.

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Choro na porta da escola: como ajudar seu filho a atravessar a separação com segurança

Para alguns pais, o início do ano letivo vem acompanhado de uma cena difícil: a criança chora, se agarra, pede para não entrar na escola ou tenta negociar a volta para casa. Isso costuma acontecer justamente no momento da separação — na porta da escola, no corredor ou ao entrar na sala.

Esse tipo de reação não significa que a escola seja ruim, que a criança não esteja pronta ou que algo esteja “dando errado”. Na maioria das vezes, trata-se de uma dificuldade específica com a separação, intensificada pelas mudanças recentes de rotina e pela necessidade de se desligar da presença dos pais.

O que a criança vive nesse momento

Na hora da despedida, o desconforto da criança é real. O corpo reage antes que ela consiga organizar pensamentos ou palavras. Choro, tensão e recusa são tentativas de manter por perto aquilo que traz segurança: a figura de apego.

Por isso, esse momento exige menos explicação e mais apoio emocional. A criança não precisa ser convencida de que a escola é boa; ela precisa sentir que os adultos acreditam que ela consegue atravessar aquele desconforto.

Algumas atitudes dos pais que fazem diferença no momento da separação

  • Mantenha uma despedida clara, breve e firme.
  • Evite prolongar o momento com negociações, promessas ou voltas repetidas.
  • Valide o sentimento (“Eu sei que é difícil”), mas sem abrir espaço para dúvidas (“Talvez você volte”).
  • Transmita confiança na escola e nos profissionais, mesmo que por dentro você esteja inseguro.

Quando a despedida se estende demais, a mensagem que chega à criança é que aquele ambiente talvez não seja seguro o suficiente – e isso aumenta a ansiedade, em vez de aliviar.

O que costuma atrapalhar (mesmo sem intenção)

  • Ameaçar ou pressionar
  • Comparar com outras crianças
  • Prometer recompensas exageradas
  • Permanecer escondido “caso precise voltar”

Essas atitudes mantêm a criança presa à ideia de fuga, dificultando que ela se reorganize emocionalmente dentro da sala.

Separar-se também é uma aprendizagem

Aprender a se separar é parte importante do desenvolvimento emocional. Quando o adulto sustenta esse momento com firmeza e afeto, ajuda a criança a construir confiança em si mesma e no mundo fora de casa.

Com o tempo, a maioria das crianças atravessa essa fase e passa a entrar na escola com mais tranquilidade. O desconforto inicial não precisa, e não deve, se transformar em sofrimento prolongado.

Quando é hora de buscar ajuda

Se o choro e a recusa persistem por muitas semanas, se se intensificam oucomeçam a impactar o sono, o comportamento ou a aprendizagem, é importante buscar ajuda profissional. O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender o que está dificultando essa separação e orientar a família de forma individualizada.

Você não precisa enfrentar esse momento sozinho. Em alguns casos, poucas sessões já são suficientes para reorganizar esse processo e devolver mais segurança à criança – e aos pais.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura
CRP 08/5822

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SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

RODRIGUES, Nathalia Bentes. Ansiedade infantil: percepção de professores de crianças no início da vida escolar. 2025. 32 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Pedagogia) – Universidade Federal do Amazonas, Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia de Parintins, Parintins, 2025.

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Rapport com crianças: o segredo da conexão na terapia infantil

Você já ouviu a palavra rapport?
Ela parece um termo complicado, usado apenas por quem estuda psicologia ou trabalha com relações humanas, mas, na verdade, o rapport está presente nas nossas interações do dia a dia — e tem um papel essencial na terapia com crianças.

Pense naquela conversa com um amigo em que você se sente completamente à vontade. Você sabe que pode falar sobre qualquer coisa, que será ouvido e compreendido, sem julgamentos.
Isso é o rapport em ação.

O que é rapport?

Na Psicologia Clínica, o rapport é o que cria uma relação harmônica e empática entre terapeuta e paciente. É a base da chamada aliança terapêutica — o vínculo de confiança que sustenta o processo de tratamento.

Pesquisas mostram que, quando o terapeuta adota uma postura genuína de acolhimento, interesse e aceitação, o paciente tende a se sentir mais confortável, compreendido e seguro. E esse sentimento de confiança tem impacto direto nos resultados da terapia.

E com crianças, como isso funciona?

Muita gente acredita que as crianças não conseguem expressar suas preferências, sentimentos ou pensamentos de forma clara. Mas isso não é verdade!
As crianças têm muito a nos dizer — e quanto mais o terapeuta entende o seu universo, mais ele consegue usar o rapport para criar uma conexão verdadeira.

Essa conexão é o que torna a terapia possível. Sem ela, dificilmente há engajamento, abertura emocional ou mudança de comportamento.

Por que o rapport é tão importante na terapia infantil?

1. Aumenta a motivação.
Quando a criança se sente compreendida, ela quer participar, colaborar e se envolver no processo terapêutico.

2. Cria confiança.
E confiança é o que permite que ela se abra emocionalmente, compartilhe suas experiências e fale sobre o que sente.

3. Facilita as mudanças de comportamento.
Quando existe vínculo, ensinar algo novo ou propor desafios se torna muito mais fácil e natural.

Conexão vai além de carinho

Muitos pensam que criar conexão é apenas ser afetuoso — mas o rapport vai muito além disso. Ele envolve atenção, escuta ativa, curiosidade genuína e envolvimento real com o mundo da criança.

Criamos conexão quando:

  • Brincamos juntos. 
  • Observamos suas preferências e interesses.
  • Conversamos sobre temas que fazem parte do seu cotidiano — o jogo de futebol, o desenho preferido, a escola, os amigos…
  • Rimos juntos, contamos uma piada, fazemos comentários que mostram presença e sintonia.

São esses momentos simples que constroem um relacionamento de confiança e tornam a terapia significativa.

Perguntar o que a criança gosta, ouvir com atenção aquela história longa e cheia de detalhes, propor uma brincadeira divertida… tudo isso é parte essencial do processo. É assim que se constrói o rapport — um vínculo de confiança e empatia que faz o processo terapêutico acontecer de verdade. 

Na Clínica Terapia Criativa, acreditamos que o vínculo vem antes de qualquer técnica. Por isso, valorizamos o tempo de conexão, escuta e brincadeira como parte fundamental do processo terapêutico.

Psic. Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Carvalho, Cibele, Fiorini, Guilherme Pacheco, & Ramires, Vera Regina Röhnelt. (2015). Aliança terapêutica na psicoterapia de crianças: uma revisão sistemáticaPsico46(4), 503-512. Acesso:  https://doi.org/10.15448/1980-8623.2015.4.19139

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Nem sempre mais terapias significam mais progresso!

Quando os pais percebem que o filho está enfrentando dificuldades — seja na escola, nas interações sociais ou no comportamento — é natural querer agir rápido e fazer tudo o que for possível para ajudar. Muitos acreditam que quanto mais terapias a criança fizer, melhor será o resultado. Mas, na prática, nem sempre isso é verdade.

Às vezes, na tentativa de ajudar, os pais acabam colocando a criança em várias terapias ao mesmo tempo: fonoaudiologia, psicoterapia, terapia ocupacional, psicopedagogia… E, embora todas sejam importantes, fazer tudo junto nem sempre é o ideal.

Cada profissional tem um foco, uma linguagem e uma forma de trabalhar.
Quando várias intervenções acontecem simultaneamente, pode surgir sobrecarga, confusão e até resistência da criança — que passa a se sentir cansada ou desmotivada.

Na psicologia, existe um conceito chamado efeito iatrogênico — que descreve quando uma intervenção feita com boa intenção acaba gerando o efeito oposto: em vez de ajudar, dificulta o progresso.

Por isso, o primeiro passo mais importante não é começar uma terapia, mas sim realizar uma boa avaliação. É ela que vai indicar o que realmente precisa ser trabalhado, em que ordem e com qual abordagem.

Nem sempre a resposta está em mais atendimentos. Às vezes, o que a criança precisa é de um bom professor particular, de uma rotina mais estruturada ou de orientações específicas para os pais.

Na maioria dos casos, menos é mais.
Um plano bem direcionado, com objetivos claros e metas possíveis, costuma trazer resultados muito mais consistentes do que várias intervenções desconectadas entre si.

Claro, existem situações em que o trabalho conjunto entre profissionais é fundamental — como nos casos de atrasos globais do desenvolvimento, transtornos do espectro autista ou deficiências múltiplas.
Mas mesmo nesses contextos, o segredo está na integração e no propósito compartilhado entre os profissionais.

Cuidar bem é cuidar com foco. É entender o momento, a necessidade e o ritmo da criança.

Aqui na Terapia Criativa, avaliamos cada caso com cuidado para indicar o melhor caminho — aquele que realmente faz sentido para o desenvolvimento da criança e para o bem-estar da família.

Se você tem dúvidas sobre o que seu filho precisa neste momento, fale com a gente. Vamos pensar juntos na melhor forma de ajudar. 

Psic. Keila de Oliveira Franco Ribeiro

CRP 08/43283


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:Schmitt, P. M., Fattore, I. de M., Halberstadt, B. F., Santos, T. D. dos, & Souza, A. P. R. de. (2019). Atendimento em dupla como modalidade de intervenção interdisciplinar na clínica com crianças pequenas. Distúrbios Da Comunicação31(2), 196–206. Acesso: https://doi.org/10.23925/2176-2724.2019v31i2p196-206

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Ajudando crianças a lidarem com pensamentos difíceis!

Você sabia que nem sempre o que muda primeiro é o pensamento? Muita gente acredita que basta “pensar positivo” para se sentir melhor, para promover mudanças  — mas, na prática, não é bem assim.

Na verdade, é o comportamento que costuma vir antes — e é ele que muda e transforma, aos poucos, a forma de sentir e de pensar.

Pense nas crianças que dizem:

“Eu não sou capaz.”
“Eu nunca acerto.”
“Não adianta tentar.”

Esses pensamentos não desaparecem só porque dizemos o contrário.
Frases como “claro que você consegue!” ou “acredite em você” têm boas intenções, mas raramente são suficientes.

É preciso que as crianças vivenciem situações reais de sucesso, superação e prazer em perceber que conseguem de verdade. É isso que impacta o que elas sentem e  pensam sobre si mesmas e suas competências.

Na terapia comportamental, o foco não está em mudar o pensamento diretamente, e sim em criar experiências concretas que provem o contrário.
E como fazemos isso?

  • Propondo pequenas tarefas em que a criança se saia bem. 
  • Reforçando cada conquista — mesmo aquelas que parecem simples. 
  • Desenvolvendo novas habilidades que mostram, na prática: “Ei, eu consigo!”

Quando o comportamento muda, o sentimento muda junto —
e o pensamento se reorganiza naturalmente. A criança começa a se ver de outro jeito: mais confiante, mais competente e mais motivada. 

Na Terapia Criativa, criamos experiências assim todos os dias: vivências que fortalecem o emocional, aumentam a autonomia e geram resultados reais no cotidiano das crianças e adolescentes.

Quer aprender como estimular isso em casa, no dia a dia com seu filho?
Entre em contato com nossa equipe — será um prazer conversar com você!

Psic. Samira Khaled Saleh

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Lara, A. C. D., Carvalho, T. M., & Teodoro, M. L. M. (2021). Relações familiares e cognições disfuncionais de adolescentes: uma revisão sistemática. Revista Psicologia em Pesquisa, 15. Acesso: https://doi.org/10.34019/1982-1247.2021.v15.29297

Moura, C.B. & Venturelli, M.B. “Direcionamentos para a condução do processo psicoterapêutico comportamental com crianças”. Paideia (Ribeirão Preto), vol.14, n.29, 2004. Acesso: https://rbtcc.com.br/RBTCC/article/view/62/51

Tavares, H. L. S. (2011). Crenças disfuncionais: semelhanças entre pais e filhos [Monografia de Especialização, Universidade Federal de Minas Gerais]. UFMG Repositório. Acesso: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/594e845c-b78e-49bd-a323-5a5e4b1a4245/content

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TDAH ou Sluggish Cognitive Tempo: Como Diferenciar na Prática Clínica?

Distinguir entre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Sluggish Cognitive Tempo (SCT) é um desafio que exige refinamento diagnóstico e sensibilidade clínica. Embora ambos envolvam sintomas atencionais, tratam-se de quadros diferentes — com trajetórias, comorbidades e prognósticos próprios, o que implica também em intervenções diferenciadas.

O que é o SCT?

O Sluggish Cognitive Tempo, ou “ritmo cognitivo lento”, é caracterizado por lentidão no processamento mental, sonolência diurna, hipoatividade, devaneios frequentes, baixa responsividade e tendência à inibição comportamental.

Russell Barkley (2013) foi um dos primeiros a propor o SCT como uma entidade autônoma, distinta do TDAH. Desde então, diversos estudos têm reforçado a ideia de que o SCT possui uma estrutura sintomática própria, com características que não se sobrepõem totalmente ao TDAH.

Sobreposição e divergência sintomática

TDAH e SCT compartilham sintomas de desatenção, mas por motivos diferentes.
Enquanto o TDAH está ligado a disfunções executivas, impulsividade e desregulação motivacional, o SCT envolve hipoativação cortical e lentidão cognitiva.

De modo geral:

  • No TDAH, a criança se mostra inquieta, impulsiva e com dificuldade em sustentar o foco.
  • No SCT, o que predomina é a sonolência, o “devagar e sempre” — uma lentidão que não é preguiça, mas um funcionamento cognitivo mais brando e introspectivo.

Como diferenciar 

A diferenciação entre os dois quadros depende de uma análise cuidadosa do padrão atencional, do contexto em que os sintomas aparecem e do impacto funcional no dia a dia. Para aumentar a precisão diagnóstica, é fundamental ouvir múltiplas fontes de informação — pais, professores e o próprio paciente — além de utilizar instrumentos validados.

Enquanto o TDAH, especialmente o tipo combinado, costuma se associar à desregulação emocional e a comportamentos externalizantes — como agitação e impulsividade —, o SCT tende a se relacionar com isolamento social, dificuldades acadêmicas e sintomas internalizantes, como ansiedade, tristeza e retraimento.

Outro ponto importante é o uso de psicoestimulantes: enquanto eles costumam ter boa resposta em casos de TDAH, os resultados em SCT são variáveis. Estudos apontam que o SCT pode responder melhor a abordagens psicoterapêuticas, especialmente quando há comorbidades ansiosas ou depressivas.

Status atual nos sistemas classificatórios

Até o momento, o SCT não é reconhecido como um transtorno autônomo no DSM-5 nem na CID-11. Apesar disso, há crescentes evidências de sua validade clínica, e o debate atual gira em torno de sua classificação dimensional — se o SCT seria um transtorno independente, uma dimensão transdiagnóstica ou parte de um espectro atencional mais amplo.

Cuidados éticos e clínicos

Diante de sintomas compatíveis com SCT, é essencial evitar rótulos precipitados e a medicalização de estilos cognitivos. O diagnóstico deve ser sempre contextualizado — considerando a história de vida, o funcionamento global e as comorbidades do indivíduo — e apoiado em avaliações multidimensionais.

Embora compartilhem algumas características, TDAH e SCT são entidades diferenciáveis. O rigor ético e técnico na distinção entre eles favorece intervenções mais eficazes e individualizadas. Na prática clínica, o profissional precisa manter-se em constante atualização, combinando pensamento crítico e integração de novas evidências científicas.

Dra. Cynthia Borges de Moura

CRP 08/5822


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Barkley, R. A. (2013). Distinguishing sluggish cognitive tempo from attention-deficit/hyperactivity disorder in children. Journal of Abnormal Child Psychology.

Becker, S. P., et al. (2016). The internal, external, and diagnostic validity of sluggish cognitive tempo: A meta-analytic review.Godoy, V. P. (2024). Avaliação multidimensional do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e do Sluggish Cognitive Tempo (SCT) em adultos brasileiros: Volume 1 (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. Acesso: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/9a9f08f0-74ed-4aac-9ecb-669e45b9fbc2/contente

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Quais são as qualidades do seu filho?

Quando atendo uma criança, sempre faço uma pergunta simples aos pais ao final da entrevista: “Quais as qualidades do seu filho? No que ele é bom?”

E sabe o que acontece muitas vezes? Silêncio.

Não é raro que os pais consigam descrever com riqueza de detalhes os problemas de comportamento, as dificuldades na escola ou as birras em casa. Mas, quando chega a hora de falar das qualidades, eles travam.

Isso não acontece por falta de amor ou de atenção. O que ocorre é que, na correria do dia a dia, os erros costumam chamar mais atenção do que os acertos. O brinquedo jogado no chão, a lição não feita, a resposta atravessada — tudo isso salta aos olhos. Já as atitudes positivas passam despercebidas, justamente porque parecem “óbvias” ou “esperadas”.

Só que, sem querer, esse olhar acaba reforçando os comportamentos que os pais mais gostariam que desaparecessem. Afinal, quando a criança só recebe atenção pelo que faz de errado, é isso que tende a se repetir.

Mas há uma saída. Quando os adultos passam a observar e valorizar os acertos, algo poderoso acontece: a criança começa a se sentir reconhecida, motivada e segura. E, com isso, os comportamentos inadequados vão perdendo espaço. Muitas vezes, só essa mudança de foco já é suficiente para transformar o ambiente em casa — a ponto de nem ser necessária uma intervenção terapêutica.

Por isso, um exercício simples pode fazer toda a diferença: todos os dias, procure um motivo para elogiar genuinamente o comportamento do seu filho. Pode ser algo pequeno — como dividir um brinquedo, se vestir sozinho ou mostrar interesse em aprender algo novo.

Focar no que funciona é o primeiro passo para transformar o que não funciona. E, se mesmo assim for difícil lidar com os desafios, conte com a nossa equipe aqui na clínica Instituto Terapia Criativa. Estamos aqui para caminhar junto com você e sua família!

Psic. Samira Khaled Saleh 

CRP 08/12112


SE VOCÊ É PROFISSIONAL E QUER SABER MAIS, PODE LER TAMBÉM:

Referências:

Bueno, A. C. W., Santos, B. C. dos ., & Moura, C. B. de .. (2010). Obediência infantil: conceituação, medidas comportamentais e resultados de pesquisas. Psicologia: Teoria E Pesquisa, 26(2), 203–216. Acesso: https://doi.org/10.1590/S0102-37722010000200002

Loos, H., & Cassemiro, L. F. K.. (2010). Percepções sobre a qualidade da interação familiar e crenças autorreferenciadas em crianças.Estudos De Psicologia (campinas), 27(3), 293–303. Acesso: https://doi.org/10.1590/S0103-166X2010000300002

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